A Prefeitura do Rio inicia, nesta quarta-feira (16), uma reestruturação na operação das linhas de ônibus municipais, com redução no número de viagens realizadas diariamente. De acordo com levantamento do Fórum de Mobilidade Urbana, a média de viagens por dia útil na cidade cairá 20,1%, passando de 25.952 para 20.730. A quilometragem percorrida pelos coletivos também será reduzida em 18%, saindo de 1,1 milhão para 906.680 quilômetros rodados diariamente.
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As mudanças têm como base dados do sistema de bilhetagem eletrônica do cartão Jaé, que passa a ser o único aceito no transporte municipal a partir de 2 de agosto. Segundo a Secretaria Municipal de Transportes (SMTR), a revisão considera a demanda em cada faixa horária, buscando otimizar os recursos públicos e evitar que veículos circulem com baixa ocupação fora dos horários de pico.
A SMTR estima que a reestruturação resultará em uma economia de aproximadamente R$ 200 milhões em subsídios pagos às empresas até o final do segundo semestre. Atualmente, o município mantém dois tipos de repasse: um para complementar a tarifa cobrada dos passageiros (mantida em R$ 4,70, abaixo dos R$ 6,50 estimados) e outro proporcional à quilometragem rodada pelos veículos.
Diversas linhas terão redução significativa no número de viagens. A linha 309 (Alvorada – Centro), por exemplo, passará de 172 para 125 viagens diárias, uma queda de 27%. Já a linha 371 (Praça Seca – Praça Tiradentes) terá redução de 284 para 216 viagens por dia (23,9%). A linha 548 (Vila Isabel – Botafogo), que passou a atender parte dos passageiros do antigo serviço de metrô de superfície, sofreu um corte de 35% no total de viagens, caindo de 126 para 82.
Passageiros ouvidos relataram preocupação com possíveis atrasos e superlotação, principalmente fora dos horários de pico. Segundo a prefeitura, a maior parte das alterações deve ocorrer entre 9h e 15h e após as 20h. O funcionamento da madrugada, entre meia-noite e 5h, será mantido sem mudanças para as 65 linhas que operam nesse horário — cada uma deverá circular com ao menos um ônibus por hora, em cada sentido.
A medida foi criticada por especialistas e representantes da sociedade civil. O coordenador do Fórum de Mobilidade Urbana, Licínio Machado Rogério, afirmou que o Conselho Municipal de Transportes não foi consultado sobre a mudança. Para ele, a decisão pode aumentar o tempo de espera do passageiro nos pontos e deveria ser precedida por uma integração entre os diversos modais da cidade.
A prefeitura afirma que os ajustes são dinâmicos e poderão ser revistos conforme a demanda evolua. O subsecretário municipal de Transportes e Operação, Guilherme Braga Alves, destacou que, mesmo com os cortes, o número de viagens ainda estará 15% acima da demanda registrada nos sistemas de controle.