Igrejas e estabelecimentos comerciais no Andaraí, Zona Norte do Rio, suspenderam atividades nesta quinta-feira (2) após relatos de ameaças feitas por criminosos. Segundo moradores, os responsáveis exigiam o pagamento de valores que variavam a partir de R$ 1 mil para permitir o funcionamento dos locais.
Entre os alvos estão as paróquias São José e Nossa Senhora das Dores, na Rua Barão de Mesquita, e São Cosme e São Damião, na Rua Leopoldo, ambas próximas ao 6º BPM (Tijuca), responsável pelo policiamento da região.
De acordo com testemunhas, criminosos entraram em contato pedindo para falar com os párocos e solicitaram o pagamento. Diante da recusa, os responsáveis pelas igrejas decidiram suspender todas as atividades. Cartazes com o aviso de fechamento foram afixados nas entradas dos templos.
No Grajaú, a Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro também recebeu uma ligação semelhante, mas não interrompeu as celebrações.
Moradores e comerciantes afirmam que a chamada “taxa de segurança” é cobrada há pelo menos cinco anos e pode variar de R$ 400 a R$ 6 mil mensais, dependendo do porte do estabelecimento. O pagamento, geralmente feito via PIX, seria utilizado para garantir que os negócios não sofram represálias, como assaltos e interrupções.
Segundo comerciantes, a cobrança tende a se intensificar no fim do ano, com maior pressão sobre quem está em atraso. Alguns relataram que até motoboys pagam valores elevados para circular pela região.
A região vive uma rotina de tensão em razão de disputas territoriais entre facções criminosas nos morros do Andaraí e do Cruz. Recentemente, confrontos armados provocaram o fechamento de ruas e a interrupção de atividades religiosas. No dia 27 de setembro, um tiroteio nas proximidades da Paróquia São Cosme e São Damião deixou um homem morto e paralisou uma missa em andamento.
Na quinta-feira, policiais militares reforçaram o patrulhamento em pontos estratégicos, incluindo a Rua Leopoldo, um dos acessos ao Morro do Andaraí, onde foi posicionado um blindado. A Polícia Militar informou que intensificou o policiamento em parceria com a UPP Borel, mas não se pronunciou sobre as denúncias de extorsão.
A Polícia Civil, por meio da 20ª DP (Vila Isabel), informou que investiga os relatos.