Nova controladora da Linha Amarela herda desafios estruturais, de segurança e mobilidade

outubro 23, 2025

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Com a mudança de controle à vista, a Linha Amarela, uma das principais vias expressas do Rio de Janeiro, deve passar por uma nova fase de gestão. O grupo Invepar anunciou a transferência do controle da Lamsa — concessionária responsável pela administração da via — para o Mubadala Capital, braço de investimentos do fundo soberano de Abu Dhabi. A operação ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e da Prefeitura do Rio, mas o novo controlador encontrará um cenário repleto de desafios acumulados ao longo dos 28 anos de concessão.

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Com 17 quilômetros de extensão, a Linha Amarela liga a Cidade Universitária, na Ilha do Fundão, à Barra da Tijuca, na Zona Oeste. A via corta 13 bairros e 23 comunidades, que abrigam cerca de 500 mil pessoas. Mesmo com sua importância para a mobilidade carioca, a via é marcada por engarrafamentos frequentes, insegurança e problemas de manutenção.

Durante os horários de pico, o fluxo intenso compromete o deslocamento de motoristas e passageiros. Segundo o Fórum de Mobilidade Urbana do Rio, as filas nos pedágios estão entre as principais causas dos congestionamentos. O coordenador do grupo, Licínio Rogério, defende a adoção do sistema Free Flow — cobrança eletrônica sem praças físicas — e o estudo para a criação de novas agulhas de acesso e saída.

“Os engarrafamentos chegam até o Túnel da Covanca em horários de rush. O fundamental é instalar na via um sistema Free Flow (pedágio eletrônico que elimina praças físicas).” sugere Rogério, que considera importante ainda a elaboração de estudo para a implantação de novas agulhas de acesso e saída da via.

Atualmente, o pedágio custa R$ 3,80, cobrado em uma praça com 20 cabines (12 manuais e 8 eletrônicas). Parte dos usuários considera o valor elevado para uma via urbana.

A sensação de insegurança é outro fator recorrente entre quem utiliza a via. Casos de assaltos e trocas de tiros preocupam motoristas e pedestres. Segundo o Instituto Fogo Cruzado, entre janeiro e outubro deste ano, a Linha Amarela foi fechada três vezes em razão de confrontos armados. Um dos episódios mais graves ocorreu em maio, na Cidade de Deus, quando um policial da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) morreu durante operação.

Moradores relatam situações de medo e tentativas de assalto, inclusive com abordagens violentas. No fim de setembro, a via chegou a ser bloqueada nos dois sentidos durante uma operação policial no Complexo da Maré.

Os pedestres também enfrentam riscos. A iluminação precária e a presença de usuários de drogas nas 14 passarelas são queixas frequentes. Algumas estruturas apresentam ferrugem e lâmpadas furtadas, o que dificulta a travessia noturna.

Os painéis eletrônicos de mensagens, instalados ao longo da via, apresentam falhas e muitas vezes exibem informações incompletas. Incidentes graves, como o incêndio em um caminhão no Túnel da Covanca, ocorrido no ano passado e que deixou mais de cem pessoas feridas, expuseram fragilidades em sistemas de ventilação e detecção de incêndio.

Uma auditoria da Controladoria-Geral do Município (CGM), concluída em 2019, apontou que a Lamsa não executou integralmente obras e melhorias previstas em contrato, o que teria gerado um prejuízo de R$ 1,6 bilhão aos cofres públicos. As irregularidades levaram ao rompimento do contrato pela gestão do então prefeito Marcelo Crivella, mas a concessionária obteve na Justiça o direito de manter a administração da via.

O impasse se estendeu por anos, até que um acordo firmado em junho deste ano no Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou a concessão à Lamsa, com redução no valor do pedágio.

Apesar do novo acordo, o futuro da Linha Amarela segue indefinido. A Companhia Carioca de Parcerias e Investimentos (CCPar) informou que ainda não recebeu notificação oficial sobre a mudança de controle e que avaliará as condições contratuais após o envio da documentação pela concessionária.

A Invepar limitou-se a confirmar a transferência do controle acionário, enquanto o Mubadala Capital declarou que não comentará planos ou projetos até a conclusão do processo.

Em nota, a Lamsa afirmou que “trabalha continuamente para proporcionar maior agilidade na praça de pedágio”, que manter as passarelas ao longo da via não faz parte de suas obrigações contratuais e que a manutenção da iluminação sob sua responsabilidade se restringe ao eixo principal, acessos e saídas da via.

Já a Polícia Militar informa que realiza patrulhamento ostensivo e ações preventivas, “com o objetivo de impedir e reduzir os índices de roubos”. E que realiza mapeamentos estratégicos.


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